I stumbled upon this interview quite by chance – what an enjoyable find. (“Católicos, de direita, com David Bowie no chão da sala” – in Portuguese).

A very interesting couple, Catholic and social conservative in a very nice way.

 

São os Nogueira Pinto. Helena adoptou o apelido de Eduardo, como a sogra, Maria José, adoptou o apelido de Jaime. Têm “o mesmo cunho”. São de direita, católicos. Não celebram o 25 de Abril nem o 25 de Novembro. A política não está no centro das suas vidas. Comovem-se com as mesmas coisas. Talvez isso seja o mais importante.

Eduardo nasceu em 1973, é advogado na PLMJ. Helena nasceu em 1979, estudou Literatura, trabalha com Pedro Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro Miguel Poiares Maduro. Conheceram-se em 2006, casaram-se em 2007. Têm três filhos: Leonor de seis anos, Duarte de quatro e Teresa de um ano e meio.

Não são um casal improvável. Os mundos de onde vêm não são distantes ou opostos ou intransponíveis.

Excerpt1:

Era provável apaixonar-se, casar-se, ter filhos com um homem que fosse de esquerda, revolucionário?
Helena – Se fosse tão convicto nas suas ideias como eu sou nas minhas, seria difícil.
Eduardo – Também depende do tipo de esquerda. Não julgo que nas relações humanas a parte mais importante seja a ideológica, a política. Acho mais importante gostar das mesmas coisas, emocionar-se com as mesmas coisas, ter uma sensibilidade parecida, ter sentido de humor.
Helena – Voltando a essa situação hipotética de estar casada com um homem de esquerda, fanático…

Excerpt2:

São os dois católicos. Praticantes? É uma dimensão importante na vossa vida?
Helena – Praticantes, não. Os nossos filhos estão em escolas católicas e é vital que aprendam a viver assim. As nossas família são católicas, os nossos pais são praticantes.
Eduardo – Sou católico, catolicista. Dou importância à Igreja católica, independentemente da fé, porque acho que é um bom enquadramento para uma pessoa crescer e viver. Mas tenho fé. Diria que sou bastante relapso.
Helena – Confias em Deus.

Excerpt3:

As pessoas com quem se dão no vosso dia-a-dia são todas do vosso meio? Têm amigos próximos de esquerda?
Eduardo – Sim. Muitas das pessoas que mais admiro são de esquerda. O critério político não é o único [para estabelecer uma relação com uma pessoa]. E gosto mais de um bom político de esquerda do que de um mau político de direita, e de uma boa pessoa de esquerda do que de uma má pessoa de direita.
Helena – Há quanto tempo não temos um político de direita que leve hordas atrás? O panorama é árido.

Os chamados “temas fracturantes” mais discutidos nos últimos anos foram o aborto, o casamento homossexual e a co-adopção. A vossa posição é mais marcada pela matriz católica do que por serem de direita?
Eduardo – Do ponto de vista moral, tenho uma posição sobre esses temas e ela não é diferente da que tenho em termos políticos. O que tento é que na discussão política não interfira o que penso moralmente. Não posso impor a minha moral às outras pessoas. Posso fazê-lo aos meus filhos, enquanto viverem comigo. Portanto só consigo discutir isto com argumentos políticos. E não podemos partir para a discussão com uma posição moral. A esquerda parte mais…

São contra o casamento homossexual?
Eduardo – Sou. E sou contra a adopção homossexual, sou contra a co-adopção. A única causa fracturante que defendo é a legalização das drogas, pelo menos das drogas ditas “leves”.
Helena – Não gostamos do Estado paternalista que tem de decidir pelo indivíduo, porque o indivíduo não sabe o que é melhor para si.
Eduardo – Um liberal devia defender um casamento entre pessoas do mesmo sexo? Não. As pessoas podem fazer o que quiserem que o Estado não tem nada a ver com isso. O casamento, que é um constrangimento à liberdade das pessoas, existe porque — e esta é a minha posição política — o Estado deve promover uma coisa que se chama família.
A seguir é preciso definir família.
Helena – Só há uma.
Eduardo – Na minha definição, deve promover a família pai, mãe, filhos, porque essa realidade é útil para o Estado e para a sociedade. Acredito nisto, defendo isto. Quero ter o direito, se ganhar umas eleições, de poder implementar este modelo. Houve um referendo em relação ao aborto.
Helena – O primeiro ganhámos [1998].
Eduardo – Ganhou o não. Ninguém ficou com a ideia de que a história morria ali.
Helena – Por isso é que dez anos depois houve outro [2007].
Eduardo – Mas ficou-se com a ideia de que a história morria ali.
Helena – Infelizmente este parece irreversível. A esquerda mexe-se melhor.
Eduardo – É porque há a ideia de que isto é progresso.

Quando falam com os vossos amigos de esquerda, quais são os grandes pontos de conflito ideológico e de costumes?
Helena – São estas questões.

 

 

Advertisements